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Qual a origem do espumante?

27/07/2018 Escrito por: Bia Miranda Redatora e revisora da Wine, além de perdidamente apaixonada – e curiosa – pelo mundo do vinho.


Qual a origem do espumante?

Indispensável em comemorações e sinônimo de elegância, o espumante é um dos vinhos mais prestigiados do mundo. Descubra a origem dessa saborosa bebida.
 A definição de espumante consiste no vinho tinto, rosé ou branco, com presença de gás carbônico natural e em quantidade perceptível.
Ele teria surgido por acaso, quando o vinho era engarrafado antes do final da fermentação alcoólica, que continuava sendo feita dentro da garrafa, produzindo gás carbônico e gerando uma bebida cheia de borbulhas.
A princípio, o gás carbônico era indesejado, contudo, essa forma de produção de bebidas acabou se tornando um método, conhecido como méthode rurale (método rural) ou método ancestral, usado até hoje na produção de frisantes, em regiões de tradições vinícolas mais antigas da França.
O registro histórico mais antigo do espumante é do ano de 1531, na abadia beneditina de Saint-Hilaire, em Limoux (Languedoc), na França.
É lá que se produz o Blanquette de Limoux (por método tradicional), o primeiro espumante francês, título disputado historicamente com o Champagne.
Há também registros, anteriores ao espumante de Champagne, do comércio de espumantes italianos rústicos e turvos, do tipo Refosco Spumante e Moscato Spumante, de pouco valor e quase desconhecidos.
O Champagne
Já foi sinônimo de espumante por todo o mundo, mas atualmente é uma denominação específica reservada ao vinho espumante elaborado na região de Champagne, na França.
É feito a partir de três uvas: chardonnay, pinot noir e pinot meunier, proveniente de uma área limitada do nordeste da França, a região chamada Champagne (Appellation d’Origine Contrôlée – AOC).
Inicialmente, os vinhos dessa região tinham a tendência de se tornarem efervescentes, o que os desvalorizava. Enquanto eram comercializados em tonéis não havia grandes dificuldades.
Com a invenção da garrafa pelos ingleses, próximo a 1680, a comercialização dos vinhos tornou-se mais prática, mas os problemas para o vinho de Champagne aumentaram.
Eles fermentavam dentro das garrafas, fazendo com que elas estourassem. Esse comportamento indesejado rendeu-lhes apelidos como saute bouchon (salta rolhas) ou vin diable (vinho diabo).
Com a chegada do frio ao final do outono, a fermentação interrompia-se. Muitos produtores a julgavam finalizada e engarrafavam seus vinhos.
Então, no início da primavera, a fermentação reiniciava, quando os vinhos já estavam dentro das garrafas, aprisionando o gás (como no método rural) e causando os efeitos indesejados.
Dom Pérignon
Em 1668, o setor econômico da abadia de Hautvillers, no Marne, foi confiado a Dom Pérignon. A função abrangia o controle das vinhas, dos vinhos e a tarefa de solucionar o problema da fermentação indesejada.
Ao contrário do que muitos pensam, ele não foi o “inventor” do espumante. Seu grande mérito foi ter percebido que o que era considerado um problema, era na realidade um grande diferencial.
Conta a lenda que, nessa época, ao abrir uma das tantas garrafas sob seus cuidados, o monge resistiu à pressão do gás, bebeu o vinho e exclamou: “Estou bebendo estrelas!”.
Ele estudou a fundo o fenômeno da fermentação dentro da garrafa e compreendeu o que ocorria e, com isso, definiu critérios importantes para a elaboração do espumante, como bases das garrafas mais resistentes e as vedações adequadas.
Dom Pérignon também pesquisou e selecionou as melhores uvas para o terroir da região e introduziu o assemblage de vinhos de safras diferentes, para obter os melhores resultados.